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terça-feira, 12 de abril de 2016

NÃO SOMOS A COR DO PECADO

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Por: Gabriella Brito


Começo esse texto muito emocionada. O dia mundial da luta contra o racismo nunca pesou tanto em mim como esse momento. Quem sabe isso seja porque eu esteja cada vez mais engajada no movimento ou talvez porque cada dia mais eu veja o ódio pela minha cor ser distribuído gratuitamente, agredindo ainda mais a história dos que lutaram antes de mim pela igualdade racial. Apesar de todas as leis existentes, o racismo ainda é a realidade do nosso cotidiano e fechar os olhos para ele é ajuda-lo a reproduzir. O dia 21 de março precisa ser vivenciado e resgatado todos os dias para o fortalecimento das nossas conquistas e assim podemos comemorar verdadeiramente essa data. As mulheres negras devem ser enxergadas pelo seu talento, e ocupar cada vez mais espaços, protagonizando a luta contra o racismo, nas mais diversas áreas.

Um dos momentos mais delicados da luta pela igualdade racial, social e de gênero é o empoderamento das mulheres negras e o reconhecimento da indústria da beleza. Não somos a beleza exótica que as propagandas tentam vender, nem somos a pele cor do pecado e o nosso cabelo não está na moda. Nossa cor carrega a história e nossos cabelos foram condenados ao cárcere da química das chapinhas para serem aceitos pela sociedade. Assumir o cabelo e a cor é se libertar de uma opressão que não foi libertada junto com a LEI ÁUREA.

A verdade é que se faz necessário propagar nossos discursos para que nos vejam como mulheres, negras, empoderadas, que não querem clarear sua cor com uma base alguns tons mais claros que sua pele, que não aceitam mais a ditadura da chapinha, que se apropriam dos turbantes como símbolo de história e não de moda, que se espelham em Dandara dos Palmares como símbolo de beleza e luta, que se alegram quando Beyoncé canta Formation na cara da sociedade americana, que toma como exemplo Rosa Parks e Carolina de Jesus e que lutam todos os dias para sobreviverem ao racismo.

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